Não existe bem-estar sem sustentabilidade
- Fernanda Guarnieri

- 5 de set. de 2025
- 5 min de leitura
Não há dúvida de que wellness é a buzzword do momento. O mercado nunca esteve tão aquecido: basta abrir as redes sociais para ver campanhas de marcas, novos influenciadores e termos como wellness club, wellness experiences, wellness concierge e wellness tourism entrando no nosso vocabulário.
Essa onda faz sentido: vivemos um mundo em colapso. O bem-estar deixou de ser luxo para se tornar necessidade. Mas há um paradoxo: enquanto promovemos vitalidade e relaxamento, será que estamos olhando para os custos ambientais e sociais que sustentam essa promessa?
O imaginário do bem-estar e suas contradições
Quando pensamos em bem-estar, imaginamos alguém que irradia vitalidade: um corpo saudável e um semblante sereno que exala a sua melhor versão. Mas essa é apenas a camada visível de uma realidade muito mais complexa.
Aqui vale a reflexão:
É possível falar em alimentação saudável quando o solo é envenenado por práticas agrícolas nocivas?
É possível falar em equilíbrio físico e mental se o ar que respiramos adoece nosso corpo?
É possível falar em longevidade se nossas escolhas comprometem as próximas gerações?
Estudos da FAO e da OMS mostram que a ausência de práticas sustentáveis ameaça o bem-estar humano: solo degradado, poluição do ar, crise da água e mudanças climáticas que já intensificam secas, enchentes e ondas de calor.
A organização internacional Earth Overshoot Day escancara o déficit ambiental que temos com o planeta terra: em apenas sete meses esgotamos os recursos que a Terra levaria um ano para repor. Exigimos da Terra muito mais do que ela é capaz de regenerar, vivemos como se o planeta precisasse de quase o dobro de sua capacidade natural para sustentar nosso estilo de vida.
É assustador porém é real.
Diante desse cenário, será que o seu açaí bowl, o seu momento de paz na sauna ou uma simples imersão na banheira gelo já entrou na conta dos recursos naturais que a Terra não conseguiu repor? Esse é o paradoxo: uma indústria que vende relaxamento e vitalidade, mas muitas vezes ignora custos ambientais que corroem silenciosamente a saúde coletiva. No fim, a verdade é incontornável: não existe bem-estar em um planeta doente.
O bem estar é um ecossistema
De acordo com o Global Wellness Institute, bem-estar não é só a ausência de doenças, mas é “a busca ativa de escolhas e estilos de vida que conduzem a um estado de saúde integral”. Esse estado vai além do corpo: envolve dimensões mentais, emocionais, sociais e ambientais.
Portanto, o bem-estar não é apenas individual, ele também é coletivo. Se a base que nos sustenta — solo fértil, ar puro, água potável e comunidades — não estiver equilibrada, o indivíduo também não estará. A conta não fecha.
Somos seres que convivem juntos em um planeta vivo que nos sustenta. Logo, não existe prática de bem-estar coerente que ignore o impacto que geramos sobre os outros e sobre o meio em que vivemos.
A sustentabilidade como pilar do bem estar
Aqui está o ponto de virada: sustentabilidade não é sinônimo de “ser ecológico”. Tampouco se resume a trocar canudos de plástico por outros de bambu ou a optar apenas por produtos veganos, não basta copiar e colar soluções “verdes”, é preciso ganhar consciência.
Sustentabilidade nada mais é que a capacidade de suprir as necessidades atuais sem comprometer a possibilidade de as futuras gerações atenderem às suas próprias necessidades.
Trata-se de garantir o bem-estar de forma menos nociva e mais inteligente para a vida na Terra, reconhecendo que o planeta e seus recursos não são uma fonte inesgotável, mas um ecossistema do qual fazemos parte e o equilíbrio deste define nossa própria sobrevivência. Em outras palavras: sustentabilidade é sobre responsabilidade.
É preciso alinhar discurso e prática. Não basta um marketing “eco friendly” desconectado da operação, é preciso pensar de forma sistêmica: da cadeia produtiva ao impacto social, do consumo de recursos ao que comunicamos ao cliente.
O Brasil no mapa da sustentabilidade
O Brasil ocupa um lugar singular no mapa da sustentabilidade global. Nenhum outro país abriga tanta riqueza natural:
Amazônia: maior floresta tropical do mundo, vital para o equilíbrio climático.
Cerrado: berço das águas, alimenta as maiores bacias da América do Sul.
Pantanal: maior área úmida do planeta, santuário de biodiversidade.
Cada um desses biomas desempenha funções ecológicas vitais, interligadas entre si e indispensáveis para o equilíbrio da Terra.
Mas a grandeza do Brasil não está apenas em seus números. Ao longo dos séculos, povos originários e comunidades tradicionais desenvolveram saberes que revelam uma profunda relação entre corpo, mente e ambiente. Esses conhecimentos ensinam práticas de cuidado, cura e respeito que hoje dialogam diretamente com o conceito moderno de sustentabilidade.
Porque aqui, o verde e o amarelo não são apenas cores da nossa bandeira, mas símbolos vivos de uma riqueza natural e cultural que deve ser celebrada, respeitada e, acima de tudo, preservada.
Spas como embaixadores do propósito
Spas nasceram para propagar o bem-estar. E justamente por isso devem assumir um papel ainda maior: o de ser embaixadores da sustentabilidade.
Isso não significa transformar atendimentos em palestras ecológicas, mas integrar escolhas conscientes no dia a dia:
reduzir desperdícios
valorizar comunidades locais
selecionar fornecedores responsáveis
otimizar o uso da água e energia
Um spa sustentável transforma sua operação em um manifesto de coerência. Mais do que oferecer relaxamento, educa pelo exemplo e inspira toda a indústria a elevar seus padrões.
A mudança começa pelo mindset
Ainda hoje, muitas empresas tratam sustentabilidade como checklist: reduzir plástico, trocar lâmpadas, incluir uma frase verde no site. Mas não se trata de planilhas, e sim de cultura organizacional.
Gestores conscientes inspiram equipes. Profissionais bem treinados comunicam com clareza ao cliente a relevância das escolhas feitas. Sem essa educação, até as melhores iniciativas ficam invisíveis.
A sustentabilidade é tendência, mas não é moda
A responsabilidade pela sustentabilidade não pertence apenas a spas, mas de todos que compõem o movimento wellness: academias, hotéis, resorts, clubes, estúdios, clínicas, marcas e profissionais. O verdadeiro bem-estar só se sustenta quando entendido como um compromisso coletivo — não apenas sobre o que eu escolho para mim, mas sobre como essas escolhas impactam diretamente o outro e o planeta.
É importante lembrar: sustentabilidade é tendência, mas não é uma moda passageira. É uma condição essencial para que o setor de bem-estar continue existindo de forma íntegra e responsável.
Na SENSONI, acreditamos que sustentabilidade não é discurso, mas prática. Por isso, ajudamos empresas a transformar esse valor em estratégia, desenhando soluções alinhadas ao ESG e implementando ações que geram impacto real para pessoas, negócios e comunidades. Estamos preparados para apoiar quem deseja integrar autenticidade, propósito e futuro em sua operação.
Estamos prontos para promover a mudança. E você, já está preparado para dar o próximo passo? Vamos conversar?


